Seminário - 2000INOVE: EXERCENDO A CIDADANIA



Aconteceu nos dias 07 e 08 de março o seminário 2000INOVE: EXERCENDO A CIDADANIA, que foi realizado em Divinópolis MG.

O seminário foi realizado pelos próprios adolescentes da Escola de cidadania. Contando com a colaboração do regional II da Pastoral do Menor os adolescentes puderam avaliar os passos dados até agora nessa caminhada de estudos e práticas de cidadania, essa avaliação foi feita pelo grupo de Divinólolis, MG.

O grupo de Juíz de Fora Ministrou o planejamento onde foram traçados os rumos desse projeto para o ano que se segue.



A nova consultoria que irá acompanhar os adolescentes no processo de formação foi apresentada ao grupo. O Observatório da juventude da UFMG. Os consultores estavam empolgados em conhecer o grupo que também estavam ansiosos. O encontro com os adolescentes foi bem extrovertido e explicativo.

A Mística não poderia deixar de acontecer já que é uma das filosofias da Escola de Cidadania e foi feita pelo grupo de Cachoeiro de Itapemirim ES, refletindo a segurança pública que foi tema da campanha da fraternidade desse ano.

A missa fui o ponto alto do Domingo, o último dia do encontro, onde todos puderam renovar suas energias e pedir forçar a Deus para essa caminhada de amor e dedicação que é a escola de Cidadania.
Além da presença das quatro dioceses que estão no projeto da Escola de Cidadania (Cachoeiro de Itapemirim ES, Divinópolis MG, Juíz de Fora MG e Montes Claros MG) o seminário contou ainda com a presença de novos educadores de outras dioceses que irão iniciar o projeto com seus adolescentes em breve.

O encerramento foi com uma fala de Dodora (coordenadora da PaMen leste II) sobr Mística, esclarecendo as dúvidas dos adolescentes e educadores.





TEXTO - O Exercício protagônico infanto-juvenil nas organizações é possível?

O reconhecimento dos direitos da criança e do adolescente é uma conquista recente, mas que teve sua origem e embasamento nos pressupostos e tratados de todo o processo histórico de sensibilização e implementação dos Direitos Humanos no mundo.

Nesta longa história, a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança em 1989, também sob influência da Declaração de Genebra dos Direitos da Criança de 1924, nos fomenta a assegurar os três maiores pilares que a Sociedade e o Estado devem conferir às crianças e adolescentes: Proteção, Provisão[1] e Participação.

Neste sentido, no Brasil, a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente foi precedida de uma ampla influência e principalmente da mobilização dos diferentes atores da sociedade civil, propondo uma nova visão de atenção acerca da infância, tendo, sobretudo como base de seus pressupostos, as diretrizes preconizadas pela Convenção dos Direitos da Criança.

Todo este processo gerou um movimento para uma mudança de enfoque dos direitos da criança, onde anteriormente era vista como um “adulto miniaturizado” com poucos deveres, e assim, poucos direitos e o poder era conferido aos pais para que fosse utilizado da maneira como quisessem. Em seguida, o entendimento do “poder” passa a ser utilizado somente em defesa dos filhos, onde estes passam a ser vistos como indivíduos desprovidos e, portanto um ser humano incompleto.

Com o Estatuto foi possível conferir às crianças e adolescentes como indivíduos em condição peculiar de desenvolvimento convocando a Família, a Sociedade e o Estado para a participação e divisão de responsabilidades na promoção de condições adequadas ao desenvolvimento destes. Propôs uma mudança de práticas assistencialistas, estigmatizantes e segregadoras, rompendo a doutrina de situação irregular do Código de Menores numa visão de objeto, passando então a situar a criança e o adolescente como pessoas em desenvolvimento, e, portanto, de direitos.

Este amplo movimento com a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança e, no Brasil, com o Estatuto da Criança e do Adolescente possibilitou a incorporação de direitos individuais e de cidadania, à criança e ao adolescente.

No entanto, com a comemoração dos 18 anos do Estatuto dos Direitos da Criança e do Adolescente, podemos observar que mesmo diante deste marco legal trazendo inovações no que tange aos direitos destes, ainda esbarramos com práticas e idéias que persistem inviabilizando e dificultando a legitimação de crianças e adolescentes como sujeitos de direitos.

É fato que atualmente as crianças e adolescentes participam muito mais no a dia a dia do que anteriormente. Mas, é claro, precisam de apoio para sua promoção, proteção e defesa. O desafio, porém, consiste em a Sociedade e o Estado conciliar e executar os três pilares conferidos a eles: Proteção, Provisão e Participação, principalmente quando se esbarra em questões sociais, políticas e econômicas.

Como buscar o equilíbrio de práticas e “olhares” para indivíduos que foram negligenciados e discriminalizados por tanto tempo e vislumbrar, ou melhor dizer, fomentar e trabalhar para que sejam participantes na construção e efetivação de seus direitos?

Pode-se observar o reconhecimento crescente nas organizações que trabalham com crianças e adolescentes de que mais do que nunca se torna necessário repensar, ampliar e/ou fortalecer suas práticas para de fato sensibilizar e convocar estes para a efetivação e luta de seus direitos enquanto cidadãos. No entanto, ainda há muito que se repensar e fazer.

A definição de um conceito e de práticas de Enfoque da Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente requer reflexões e debates. No entanto, é imprescindível que este enfoque seja visto mais do que ações que viabilizem a participação das crianças e adolescentes, mas principalmente possibilite a transformação do marco zero, ou seja, implica na mudança para uma melhor qualidade de vida para as crianças, adolescentes, famílias e comunidade na qual estão inseridas e, concomitante a isto, não há como separar deste resultado, a efetivação de seus direitos.

Desta forma este enfoque deve ser um tema transversal presente em todas as práticas e ações das organizações junto ao seu público atendido, desde o planejamento, implementação e monitoramento destas. O direito de participar deve ser um exercício contínuo de práticas implicando no dever de participação ainda mais no que tange aos caminhos para restaurar os direitos violados, exercendo assim a prática de sujeitos dos próprios direitos.

O enfoque dos direitos da criança e do adolescente não pode ser visto como algo abstrato ou restrito, ele deve perpassar as práticas e ações de toda e qualquer organização que se propõe a trabalhar com estes, inclusive, com suas famílias e comunidades. Ainda mais porque a família e a comunidade desempenham papel fundamental e importante na implementação destes direitos.

O Estado não conseguindo atender sua demanda, ou melhor, exercer o seu dever perante os cidadãos, seja por falta de recursos, corrupção, irregularidades e/ou incompetência não deve deixar de ser instigado não só por organizações que desempenham parte de sua função, mas principalmente, ser provocado por qualquer indivíduo; e aqui, acreditamos nos adolescentes como sujeitos em potencial para esta função!

Por isto, fugindo de qualquer discurso, participar, protagonizar é mais do que abrir espaços e construir práticas que não se embasam num processo com início, meio e fim. Isto quer dizer a algumas organizações que trabalhar para que as crianças, adolescentes, suas famílias e comunidades conheçam os seus direitos, não tendo um exercício contínuo de fazer valer os mesmos, não incluindo estes desde o planejamento, implementação, monitoramento e avaliação, é o mesmo que dizer muito trabalho para quase nada. Ou seja, pouca efetividade e nenhum empoderamento de muitos daqueles que ao longo da história acabam por repetir o mesmo ciclo de exclusão e acomodação, no sentido de só receber e pouco fazer. Ainda mais talvez por que nunca tiveram a oportunidade real de se sentirem capazes e de direitos.

É importante que o enfoque de direitos vise a concretização de ações cotidianas que fomentem, abram e instaurem continuamente o exercício protagônico de crianças, adolescentes, famílias e comunidade.

Isto é salientar que o Estatuto da Criança e do Adolescente nascendo também a partir dos avanços da Constituição Federal de 1988, a efetivação dos direitos depende, com certeza, da implementação de políticas públicas e para isto é fundamental a parceria e os trabalhos da sociedade civil.

Não é um caminho fácil, mas possível!É como um dia ouvi de um adolescente que ao ir a um hospital quando sua namorada estava em trabalho de parto, pediu incisivamente e em ‘bom tom’ PRIORIDADE ABSOLUTA no atendimento desta, alegando um direito previsto no Estatuto!Não era a “voz” de alguém falando por ele, e sim, a sua própria voz deixando claro a todos e a todas ali presentes que ali não estava um “alienado”(ali é nada!), mas sim, um sujeito de direitos, um cidadão!

Somente quando as organizações estiverem cientes e verdadeiramente colocando em prática estratégias que possibilitem o real e concreto empoderamento de crianças, adolescentes, famílias e comunidade na busca e luta de seus direitos, é que de fato, estarão desenvolvendo um trabalho no Enfoque dos Direitos de crianças e adolescentes.

Christiane Rezende
Assessora de Projetos
KNH Brasil SECO

[1] O Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, em 1990 legitimou os direitos fundamentais e inalienáveis das crianças em três eixos: proteção, provisão e participação.

Adolescentes da Escola de Cidadania Participam do segundo seminário da KNH em Sabará - MG

Alguns dos adolescentes da Escola de Cidadania dos Municípios de Cachoeiro de Itapemirim (ES), Divinópolis (MG), Juís de Fora (MG) e Monstes Claros (MG) participaram do segundo seminário da KNH, que aconteceu entre os dias 20 e 24 de janeiro/2009 na cidade de Sabará (MG). O seminário contou com a presença de diversos projetos da KNH que se situam na região Sudeste e Centro-Oeste do País, participaram aproximadamente 110 crianças e adolescentes, dentre esses 9 eram da Escola de Cidadania que estavam acompanhados de seus educadores, também participou do seminário a coordenadora da Pastoral do menor regional leste II, Dodora Costa.

Uma das palestras mais esperadas pelos adolescentes da escola foi a de Marilene Crus, antiga coordenadora do regional leste II e atual coordenadora nacional da Pastoral do Menor.
O seminário contou com uma variedade de assuntos ligados aos projetos patrocidados pela empresa alemã KNH. Palestras, Oficinas, painéis e momentos de lazer fizeram parte da programação desse seminário.



Os próprios adolescentes dos diversos projetos eram quem ministravam as aficinas, mostrando para todos o que eles aprendem participando dos programas em seus cidades.
Os adolescentes da escola de Cidadania por estar começando a ser parceiros da KNH nesse ano não ministrou nenhuma das oficinas, apenas participou, o que foi muito rico, pois foi uma troca de experiências positiva, pois os assuntos abordados no seminário tem muito a ver com o perfil da Escola de Cidadania, que estuda dentre outros assuntos, Políticas públicas, Direitos das crianças e Adolescentes, Cultura popular.

Toma posse nova educadora dos adolescentes da Escola de Cidadania de Montes Claros (MG)

A escola da cidadania em montes claros, está em constante movimento. No dia 31/01/09 aconteceu na casa das irmãs dominicanas a posse da nova educadora: Maria Isméria Pinheiro Ezequiel, que assume o lugar de Dorisdete Rodrigues de Brito, que após dois anos de trabalho com os adolescentes deixa a função, para trilhar novos caminhos.

Foi com muita emoção que Doris passou todo material para a nova educadora, deixando muita saudade, mas o carinho e dedicação com que assumiu o trabalho durante este tempo ficarão para sempre gravados em nossa história.
Estamos organizando a sala que nos foi cedida pela arquidiocese para realização de nossos trabalhos, onde acontecerão as reuniões mensais e extraordinárias da Escola da cidadania.


O que será a Escola de Cidadania nos Municípios?


A Escola de Cidadania Será um espaço de formação para novos adolescentes, que irão debater temas, que já foram estudados por nós, como: Orçamento público, Políticas Públicas, Trabalho infantil, abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, estatuto da cirança e adolescente, drogas, análise de conjuntura, dentre outoros.

Com o objetivo de formar adolescentes com capacidades críticas para contruírem sua cidadania e lutarem pelos seus direitos e pelos da sociedade, esses jovens irão ser formadores de novos adolescentes, para que assim o conheceimento e os adolescentes se multipliquem.

Os municípios que estão se formando são: Divinópolis, Juíz de Fora, Montes Claros de Minas Gerais e Cachoeiro de Itapemirim do Espírito Santo. As dioceses escolhidas foram essas, por já possuírem grupos de adolescentes nas Pastorais do menor, que participavam de encontros regionais da Pastoral do menor em belo Horizonte, e assim já existiam alguns adolescentes articulados nos municípios.


O que se pretende com sua organização?

Conscientizar os adolescentes sobre a realidade para que possam fazer escolhas e os ajudem a ter futuro com possibilidades mais promissoras
Promover espaço de discussão sobre direitos e deveres dos adolescentes;
Promover a participação dos adolescentes em espaços de discussão para reinvidicar a efetivação de políticas publicas.

Quem deve participar?

Adolescentes da Pastoral e outros que estejam interessados. O adolescente precisa assumir o compromisso, ser interessado, responsável, pontual, comunicativo, alegre, educado, organizado, dinâmico, saber ouvir e participar.

CASA DE RETIRO SANTÍSSIMA TRINDADE

Rua Madre Candida. n° 241
Bairro Vila Paris - Belo Horizonte, MG
Tel: (31) 3344-2441

O Início da Escola de Cidadania pela Pastoral do Menor

Como surgiu a idéia da escola de cidadania?

A proposta da criação da escola de cidadania surgiu nos anos 50 e 60, no sul dos EUA num contexto caracterizado pela forte segregação racial gerando um movimento contrário de luta anti-racista.
Na pastoral, a história começou quando os adolescentes definiram na Assembléia Nacional de 2005 que o melhor para eles seria a realização de encontros anuais onde pudessem discutir e pensar sua organização e sua ação enquanto protagonista, ao invés de realização de assembléia de 3 em 3 anos. Inicia neste ano, a ação sistemática da Pastoral, para a efetivação do protagonismo de seus adolescentes.


Como nasceu a escola de cidadania na Pastoral do Menor?


Um encontro realizado em junho de 2006 reuniu 16 adolescentes das arquidioceses de Juiz de Fora (MG), Divinópolis (MG), Montes Claros (MG), Cachoeiro do Itapemirim (ES), Teófilo Otoni (MG) e Mariana (MG). Neste, os adolescentes apresentaram suas demandas. Dentre elas, o que daria impulso às ações posteriores: a formação.
Nesse contexto surgiu a proposta da criação de um espaço de formação permanente – Escola de Cidadania – para adolescentes em temas de interesse desse grupo, tais como: Análise de conjuntura – social, política, econômica e cultural; Políticas públicas; Violência contra criança e adolescente; Trabalho infantil; Protagonismo juvenil; Família; Abuso, violência e exploração sexual; Drogas/tráfico.

O que já foi feito pela escola de Cidadania?

Em 2007, o projeto foi iniciado com a formação dos adolescentes das quatro primeiras dioceses (Juiz de Fora, Divinópolis, Montes Claros de Minas Gerais e Cachoeiro de Itapemirim do Espírito Santo).Cada módulo estudado veio acompanhado de uma atividade prática a ser executada nos municípios nos intervalos dos encontros, que foram de 1 a 3 meses. Os encontros sempre acontecem em BH (MG) onde situava-se a sede do regional leste 2 da pastoral do menor, que compreende os estado de Minas gerais e Espírito Santo.
Em 2008 este mesmo grupo terminou parte teórica e iniciou a parte da metodologia (como desenvolver a escola no município).